Outra lagarta
- Paulo Bazeggio
- 6 de jan.
- 1 min de leitura
Atualizado: 12 de jan.

Hoje uma lagarta me visitou. Ela escalou minha blusa, pela parte de trás, andou pelo ombro esquerdo e quase chegou no meu pescoço. Consegui identificar a presença dela a tempo de sairmos ambos ilesos do encontro.
Passei sob uma árvore ao sair do portão do prédio e entrar no Uber. Vai ver ela me escolheu pra chegar mais rápido no seu destino, mas como eu não podia desviar o meu caminho por questão do horário, ela ficou na moita do outro lado da rua, na base de um Flamboyant.
Eu segui pelo meu dia acreditando que a probabilidade me presenteou com a possibilidade de refletir mais uma vez sobre o processo de transformação:
A mudança só acontece quando cedemos ao impulso que a antecede. Pra lagarta, o comer.
Cedendo, criamos causas e condições para a vida faça a sua parte. E quando menos imaginamos estamos envoltos em ideias que se juntam e começam a tomar forma. Pra lagarta, encasular-se.
Então, nos desligamos de uma realidade apresentava e sonhamos com coisas impossíveis, irreais do ponto de vista daquela versão de mundo conhecida. E seguimos entregues à pausa até descobrimos novas asas e suas possibilidades. Pra lagarta, o renascer.
Penso ainda que esses encontros são oportunidades de nos reconhecer e espero que um dia eu possa me reencontrar com essas borboletas que tentam me dizer sem falar.
