A luz e o tempo dos sonhos
- Paulo Bazeggio
- 5 de jan.
- 2 min de leitura
Atualizado: 12 de jan.

Quando olhamos a chama de uma vela notamos um tanto de coisas; sua luz, a forma como queima, a maneira com que transforma a cera, a intensidade do calor, os movimentos e cores do fogo. São como frações da realidade que, percebidas, coexistem e assumem uma infinidade de significados.
Mas quando nos conectamos com um significado mais profundo, a percepção se transforma. Uma chama carrega um valor atemporal, imutável, e traz em si uma força própria. É mais que uma representação. É um símbolo, a imagem arquetípica do luminoso.
Ao buscar por orientação buscamos pela luz: a fonte que torna visível o caminho, a claridade que torna possível caminhar, o impulso que conecta nossa intenção com o caminho de concretização. E quando a encontramos, é necessário seguir. É o ritmo da vida.

Como em todas as jornadas, luz e sombra se revezam. A presença de uma não é possível sem a outra e acontecem como fases e também como uma dança de opostos. Faz pouco sentido caminhar apenas quando há luz. Menos sentido ainda faz retornar ao ponto de partida a cada momento de sombra. Recomeçar a cada ausência de luz, seria como reinvestir todas as nossas energias em ciclos intermináveis.
Teríamos todo esse tempo disponível? O tempo é recurso limitado, diferente da luz, sabedoria infinita. E por isso nosso tempo é o bem mais precioso. Seguir em frente é assumir um compromisso com você mesmo, é a maior prova de auto cuidado e confiança. E nessa jornada a fé se torna um bem valioso que nos permite atravessar dias e noites ao percorrer as trilhas dos nossos sonhos.
E qual sonho se expressa através de mim hoje? Independente de qual for, quero caminhar com lucidez.

Somos capazes de caminhar cientes do que encontramos no percurso. São valores inestimáveis a cada passo dado, que podem nos trazer aprendizados. E enquanto andamos, o centro do nosso ser pode permanecer aberto ao novo como uma porta, assim como a parte central da chama, que conecta o pavio à sua parte luminosa.
Estar consciente também é um fluxo, e a cada vez que nos iluminamos com uma descoberta interior, nos tornamos farol aos que dividem conosco parte dessa jornada tão rica e cheia de aprendizados que é a vida.
